ENEM - 2021 - INEP

N° de questões: 179

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INF856

Português

Sinhá

                                                                               Se a dona se banhou
                                                                               Eu não estava lá
                                                                               Por Deus Nosso Senhor
                                                                               Eu não olhei Sinhá
                                                                               Estava lá na roça
                                                                               Sou de olhar ninguém
                                                                               Não tenho mais cobiça
                                                                               Nem enxergo bem

                                                                               Para que me pôr no tronco
                                                                               Para que me aleijar
                                                                               Eu juro a vosmecê Que nunca vi Sinhá

                                                                               [...]

                                                                               Por que talhar meu corpo
                                                                               Eu não olhei Sinhá
                                                                               Para que que vosmincê
                                                                               Meus olhos vai furar
                                                                               Eu choro em iorubá
                                                                               Mas oro por Jesus
                                                                               Para que que vassuncê
                                                                               Me tira a luz.

CHICO BUARQUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2011 (fragmento). 

No fragmento da letra da canção, o vocabulário empregado e a situação retratada são relevantes para o patrimônio linguístico e identitário do país, na medida em que
remetem à violência física e simbólica contra os povos escravizados.
valorizam as influências da cultura africana sobre a música nacional.
relativizam o sincretismo constitutivo das práticas religiosas brasileiras.
narram os infortúnios da relação amorosa entre membros de classes sociais diferentes.
problematizam as diferentes visões de mundo na sociedade durante o período colonial.

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INF857

Português


Disponível em: www.deskgram.org. Acesso em: 12 dez. 2018 (adaptado).

A associação entre o texto verbal e as imagens da garrafa e do cão configura recurso expressivo que busca

estimular denúncias de maus-tratos contra animais. 
desvincular o conceito de descarte da ideia de negligência.
incentivar campanhas de adoção de animais em situação de rua.
sensibilizar o público em relação ao abandono de animais domésticos.
alertar a população sobre as sanções legais acerca de uma prática criminosa.

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INF858

Português


HENFIL. Disponível em: https://medium.com. Acesso em: 29 out. 2018 (adaptado)

Nessa tirinha, produzida na década de 1970, os recursos verbais e não verbais sinalizam a finalidade de

reforçar a luta por direitos civis.
explicitar a autonomia feminina. 
ironizar as condições de igualdade.
estimular a abdicação da vida social. 
criticar as obrigações da maternidade.

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INF859

Português


A crise dos refugiados imortalizada para sempre no fundo do mar



TAYLOR, J. C. A balsa de Lampedusa. Instalação. Museu Atlântico, Lanzarote, Canárias, 2016 (detalhe). 

        A balsa de Lampedusa, nome da obra do artista britânico Jason de Caires Taylor, é uma das instalações criadas por ele para compor o acervo do primeiro museu submarino da Europa, o Museu Atlântico, localizado em Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago das Canárias.
        Lampedusa é o nome da ilha italiana onde a grande maioria dos refugiados que saem da África ou de países como Síria, Líbano e Iraque tenta chegar para conseguir asilo no continente europeu.
         As esculturas do Museu Atlântico ficam a 14 metros de profundidade nas águas cristalinas de Lanzarote.
       Na balsa, estão dez pessoas. Todas têm no rosto a expressão do abandono. Entre elas, há algumas crianças. Uma delas, uma menina debruçada sobre a beira do bote, olha sem esperança o horizonte. A imagem é tão forte que dispensa qualquer palavra. Exatamente o papel da arte.

Disponível em: http://conexaoplaneta.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).

Além de apresentar ao público a obra A balsa de Lampedusa, essa reportagem cumpre, paralelamente, a função de chamar a atenção para
a ilha de Lanzarote, localizada no arquipélago das Canárias, com vocação para o turismo.
as muitas vidas perdidas nas travessias marítimas em embarcações precárias ao longo dos séculos.
a inovação relativa à construção de um museu no fundo do mar, que só pode ser visitado por mergulhadores.
a construção do museu submarino como um memorial para as centenas de imigrantes mortos nas travessias pelo mar.
a arte como perpetuadora de episódios marcantes da humanidade que têm de ser relembrados para que não tornem a acontecer.

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INF860

Português

TEXTO I

    Correu à sala dos retratos, abriu o piano, sentou-se e espalmou as mãos no teclado. Começou a tocar alguma coisa própria, uma inspiração real e pronta, uma polca, uma polca buliçosa, como dizem os anúncios. Nenhuma repulsa da parte do compositor; os dedos iam arrancando as notas, ligando-as, meneando-as; dir-se-ia que a musa compunha e bailava a um tempo. […] Compunha só, teclando ou escrevendo, sem os vãos esforços da véspera, sem exasperação, sem nada pedir ao céu, sem interrogar os olhos de Mozart. Nenhum tédio. Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte perene.

ASSIS, M. Um homem célebre. Disponível em: www.biblio.com.br. Acesso em: 2 jun. 2019.

TEXTO II

     Um homem célebre expõe o suplício do músico popular que busca atingir a sublimidade da obra-prima clássica, e com ela a galeria dos imortais, mas que é traído por uma disposição interior incontrolável que o empurra implacavelmente na direção oposta. Pestana, célebre nos saraus, salões, bailes e ruas do Rio de Janeiro por suas composições irresistivelmente dançantes, esconde-se dos rumores à sua volta num quarto povoado de ícones da grande música europeia, mergulha nas sonatas do classicismo vienense, prepara-se para o supremo salto criativo e, quando dá por si, é o autor de mais uma inelutável e saltitante polca.

WISNIK, J. M. Machado maxixe: o caso Pestana. Teresa: revista de literatura brasileira, 2004 (adaptado).

O conto de Machado de Assis faz uma referência velada ao maxixe, gênero musical inicialmente associado à escravidão e à mestiçagem. No Texto II, o conflito do personagem em compor obras do gênero é representativo da 
pouca complexidade musical das composições ajustadas ao gosto do grande público.
prevalência de referências musicais africanas no imaginário da população brasileira.
incipiente atribuição de prestígio social a músicas instrumentais feitas para a dança.
tensa relação entre o erudito e o popular na constituição da música brasileira.
importância atribuída à música clássica na sociedade brasileira do século XIX.

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INF861

Português

Devagar, devagarinho

        Desacelerar é preciso. Acelerar não é preciso. Afobados e voltados para o próprio umbigo, operamos, automatizados, falas robóticas e silêncios glaciais. Ilustra bem esse estado de espírito a música Sinal fechado (1969), de Paulinho da Viola. Trata-se da história de dois sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem, com a promessa de se verem em outra oportunidade. Percebe-se um registro de comunicação vazia e superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial construído pelos interlocutores: “Olá, como vai? / Eu vou indo, e você, tudo bem? / Tudo bem, eu vou indo correndo, / pegar meu lugar no futuro. E você? / Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono / tranquilo, quem sabe? / Quanto tempo… / Pois é, quanto tempo… / Me perdoe a pressa / é a alma dos nossos negócios… / Oh! Não tem de quê. / Eu também só ando a cem”.
      O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca como fruto de um imediatismo processual que celebra o alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios necessários para atingir determinado propósito. Tal conjuntura favorece a lei do menor esforço — a comodidade — e prejudica a lei do maior esforço — a dignidade.
        Como modelo alternativo à cultura fast, temos o movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é conscientizar as pessoas de que a pressa é inimiga da perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus sentidos para desfrutar melhor os sabores da vida.

SILVA, M. F. L. Boletim UFMG, n. 1 749, set. 2011 (adaptado). 

Nesse artigo de opinião, a apresentação da letra da canção Sinal fechado é uma estratégia argumentativa que visa sensibilizar o leitor porque
adverte sobre os riscos que o ritmo acelerado da vida oferece.
exemplifica o fato criticado no texto com uma situação concreta.
contrapõe situações de aceleração e de serenidade na vida das pessoas.
questiona o clichê sobre a rapidez e a aceleração da vida moderna.
apresenta soluções para a cultura da correria que as pessoas vivenciam hoje.

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INF862

Português

        A história do futebol brasileiro contém, ao longo de um século, registros de episódios racistas. Eis o paradoxo: se, de um lado, a atividade futebolística era depreciada aos olhos da “boa sociedade” como profissão destinada aos pobres, negros e marginais, de outro, achava-se investida do poder de representar e projetar a nação em escala mundial. A Copa do Mundo no Brasil, em 1950, viria a se constituir, nesse sentido, em uma rara oportunidade. Contudo, na decisão contra o Uruguai sobreveio o inesperado revés. As crônicas esportivas elegiam o goleiro Barbosa e o defensor Bigode como bodes expiatórios, “descarregando nas costas” dos jogadores os “prejuízos” da derrota. Uma chibata moral, eis a sentença proferida no tribunal dos brancos. Nos anos 1970, por não atender às expectativas normativas suscitadas pelo estereótipo do “bom negro”, Paulo César Lima foi classificado como “jogador-problema”. Ele esboçava a revolta da chibata no futebol brasileiro. Enquanto Barbosa e Bigode, sem alternativa, suportaram o linchamento moral na derrota de 1950, Paulo César contra-atacava os que pretendiam condená-lo pelo insucesso de 1974. O jogador assumia as cores e as causas defendidas pela esquadra dos pretos em todas as esferas da vida social. “Sinto na pele esse racismo subjacente”, revelou à imprensa francesa: “Isto é, ninguém ousa pronunciar a palavra ‘racismo’. Mas posso garantir que ele existe, mesmo na Seleção Brasileira”. Sua ousadia consistiu em pronunciar a palavra interdita no espaço simbólico do discurso oficial para reafirmar o mito da democracia racial.

Disponível em: https://observatorioracialfutebol.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).

O texto atribui o enfraquecimento do mito da democracia racial no futebol à
responsabilização de jogadores negros pela derrota na final da Copa de 1950.
projeção mundial da nação por um esporte antes destinado aos pobres.
depreciação de um esporte associado à marginalidade.
interdição da palavra “racismo” no contexto esportivo.
atitude contestadora de um “jogador-problema”.

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Português




MEIRELLES, V. Moema. Óleo sobre tela, 129 cm x 190 cm. Masp, São Paulo, 1866.

Disponível em: www.masp.art.br. Acesso em: 13 ago. 2012 (adaptado). 


Nessa obra, que retrata uma cena de Caramuru, célebre poema épico brasileiro, a filiação à estética romântica manifesta-se na
exaltação do retrato fiel da beleza feminina.
tematização da fragilidade humana diante da morte.
ressignificação de obras do cânone literário nacional.
representação dramática e idealizada do corpo da índia.
oposição entre a condição humana e a natureza primitiva.

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INF864

Português

        Coincidindo com o Dia Internacional dos Direitos da Infância, foram apresentados diversos trabalhos que mostram as mudanças que afetam a vida das crianças. Um desses estudos compara o que sonham e brincam as crianças hoje em relação às dos anos 1990. E o que se descobriu é que as crianças têm agora menos lazer e estão mais sobrecarregadas por deveres e atividades extracurriculares do que as de 25 anos atrás. As crianças de hoje não só dedicam menos tempo para brincar, como também, quando brincam, a maioria não o faz com outras crianças no parque, na rua ou na praça, mas em casa e muitas vezes sozinhas. E já não brincam tanto com brinquedos, mas com aparelhos eletrônicos, entre os quais predomina o jogo individual com a máquina.

OLIVA, M. P. O direito das crianças ao lazer… e a crescer sem carências.
El País, 20 nov. 2015 (adaptado). 

O texto indica que as transformações nas experiências lúdicas na infância
fomentaram as relações sociais entre as crianças.
tornaram o lazer uma prática difundida entre as crianças.
incentivaram a criação de novos espaços para se divertir.
promoveram uma vivência corporal menos ativa.
contribuíram para o aumento do tempo dedicado para brincar.

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INF865

Português


Que tal transformar a internet em palco para a dança?



        qO coreógrafo e bailarino Didier Mulleras se destaca como um dos criadores que descobriram a dança de outro ponto de vista. Mini@tures é uma experiência emblemática entre movimento, computador, internet e vídeo. Com os recursos da computação gráfica, a dança das miniaturas pode caber na palma da mão. Pelo fato de usar a internet como palco, o processo de criação das miniaturas de dança levou em consideração os limites de tempo de download e o tamanho de arquivo, para que um número maior de “espectadores” pudesse assistir. A graça das miniaturas está justamente na contaminação entre mídias: corpo/dança/computação gráfica/internet. De fato, é a rede que faz a maior diferença nesse grupo. Mini@tures explora uma nova dimensão que descobre o espaço-tempo da web e conquista um novo território para a dança contemporânea. A qualquer hora, dança on-line.

SPANGHERO, M. A dança dos encéfalos acesos. São Paulo: Itaú Cultural, 2003 (adaptado).

Considerado o primeiro projeto de dança contemporânea concebido para a rede, esse trabalho é apresentado como inovador por 
adotar uma perspectiva conceitual como contraposição à tradição de grandes espetáculos.
criar novas formas de financiamento ao utilizar a internet para divulgação das apresentações.
privilegiar movimentos gerados por computação gráfica, com a substituição do palco pela tela.
produzir uma arte multimodal, com o intuito de ampliar as possibilidades de expressão estética.
redefinir a extensão e o propósito do espetáculo para adaptá-lo ao perfil de diferentes usuários.