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INF525

Literatura
Firmo, o vaqueiro

        No dia seguinte, à hora em que saía o gado, estava eu debruçado à varanda quando vi o cafuzo que preparava o animal viajeiro:
        — Raimundinho, como vai ele?...
        De longe apontou a palhoça.
        — Sim.
          O braço caiu-lhe, olhou-me algum tempo comovido; depois, saltando para o animal, levou o polegar à boca fazendo estalar a unha nos dentes: “Às quatro horas da manhã... Atirei um verso e disse, para bulir com ele: Pega, velho! Não respondeu. Tio Firmo, mesmo velho e doente, não era homem para deixar um verso no chão... Fui ver, coitado!... estava morto”. E deu de esporas para que eu não lhe visse as lágrimas.

NETTO, C. In: MARCHEZAN, L. G. (Org.). O conto regionalista.
São Paulo: Martins Fontes, 2009


A passagem registra um momento em que a expressividade lírica é reforçada pela 
plasticidade da imagem do rebanho reunido.
sugestão da firmeza do sertanejo ao arrear o cavalo.
situação de pobreza encontrada nos sertões brasileiros.
afetividade demonstrada ao noticiar a morte do cantador.
preocupação do vaqueiro em demonstrar sua virilidade.