É possível afirmar que muitas expressões idiomáticas
transmitidas pela cultura regional possuem autores
anônimos, no entanto, algumas delas surgiram em
consequência de contextos históricos bem curiosos.
“Aquele é um cabra da peste” é um bom exemplo dessas
construções. Para compreender essa expressão tão repetida no
Nordeste brasileiro, faz-se necessário voltar o olhar para o
século 16. “Cabra” remete à forma com que os navegadores
portugueses chamavam os índios. Já “peste” estaria ligada
à questão da superação e resistência, ou mesmo uma
associação com o diabo. Assim, com o passar dos anos,
passou-se a utilizar tal expressão para denominar qualquer
indivíduo que se mostre corajoso, ou mesmo insolente, já
que a expressão pode ter caráter positivo ou negativo. Aliás,
quem já não ficou de “nhe-nhe-nhém” por aí? O termo, que
normalmente tem significado de conversa interminável,
monótona ou resmungo, tem origem no tupi-guarani e
“nhém” significa “falar”.